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Criptomoedas

Stablecoins: o que são USDT e USDC e por que importam para quem opera cripto

Rafael AzevedoPersonagem editorial · Redação de Cripto

Resposta rápida

Stablecoins são criptomoedas feitas para valer sempre o mesmo que uma moeda tradicional, quase sempre US$ 1. As maiores, USDT (da Tether) e USDC (da Circle), dizem manter reservas em dinheiro e títulos de curto prazo para cada token emitido. Elas importam porque servem de dólar dentro do mercado cripto: a maioria dos pares é cotada nelas. Mas não são dinheiro no banco: o valor depende da confiança nas reservas e no emissor.

Quem abre um gráfico de criptomoedas percebe logo que quase nada é cotado em dólar de verdade. O bitcoin aparece como BTC/USDT, o ether como ETH/USDT ou ETH/USDC. Essas siglas do lado direito do par são stablecoins, e elas viraram a moeda de referência do mercado cripto. Entender o que está por trás delas é parte do básico para operar com segurança.

O que são stablecoins

Uma stablecoin é um token que circula numa blockchain, como qualquer criptomoeda, mas que foi desenhado para manter um valor estável em relação a um ativo de referência. Na grande maioria dos casos, esse ativo é o dólar americano, e o objetivo é que 1 token valha US$ 1.

A utilidade é simples: no mercado cripto, que funciona 24 horas por dia em plataformas do mundo inteiro, é preciso um dólar digital que se mova na mesma velocidade das criptomoedas. Com a stablecoin, o operador sai de uma posição em bitcoin e fica em algo estável sem precisar passar pelo sistema bancário.

USDT e USDC

  • USDT (Tether): lançada em 2014, é a maior stablecoin em valor de mercado e a mais usada como par de negociação nas plataformas. A empresa emissora publica atestados periódicos de reservas, que incluem principalmente títulos do Tesouro americano de curto prazo, além de outros ativos. Ao longo dos anos, recebeu críticas pela transparência das reservas.
  • USDC (Circle): lançada em 2018, tem reservas formadas por dinheiro e títulos do Tesouro americano de curto prazo, com relatórios mensais de reservas. Costuma ser vista como mais conservadora, mas também já teve problemas, como você verá abaixo.

Como a paridade com o dólar é mantida

Nas stablecoins lastreadas em reservas, como USDT e USDC, o mecanismo tem três partes:

  • Emissão: clientes institucionais entregam dólares ao emissor e recebem tokens novos, na proporção de 1 para 1.
  • Resgate: esses mesmos clientes podem devolver tokens e receber dólares, e os tokens são destruídos.
  • Arbitragem: se o token for negociado a US$ 0,995 nas plataformas, quem tem acesso ao resgate compra barato e resgata a US$ 1, lucrando a diferença. Se for negociado a US$ 1,005, emite a US$ 1 e vende mais caro. Essas operações empurram o preço de volta para perto de US$ 1.

O sistema funciona enquanto o mercado acredita que as reservas existem e que o resgate vai ser honrado. Se essa confiança some, a arbitragem não é suficiente e o token pode perder o lastro.

Stablecoins algorítmicas

Existe outro tipo, que tenta manter a paridade sem reservas equivalentes, usando incentivos e a criação ou queima de um segundo token. O caso mais conhecido é o TerraUSD (UST), que perdeu a paridade em maio de 2022 e entrou em colapso, levando junto o token irmão, Luna, e bilhões de dólares de investidores. É um exemplo do risco de confiar em mecanismos sem lastro real.

Exemplo real: por que elas importam no dia a dia

Quando o BTC/USDT fechou 07/10/2026 a 83.321,81, isso quer dizer 83.321,81 USDT por bitcoin, e não exatamente US$ 83.321,81. No mesmo dia, o ETH/USDT fechou a 2.574,14 USDT. Na prática, enquanto o USDT estiver perto de US$ 1, a diferença é irrelevante. Mas ela deixa de ser se a stablecoin se afastar da paridade.

Março de 2023: o USDC perde a paridade

Em março de 2023, a quebra do Silicon Valley Bank, nos EUA, atingiu a Circle, que tinha parte das reservas do USDC depositada no banco. Durante um fim de semana, o USDC chegou a ser negociado perto de US$ 0,88 em algumas plataformas. A paridade só voltou depois que as autoridades americanas garantiram os depósitos do banco. Quem tinha o patrimônio parado em USDC viu uma perda de mais de 10% em horas, sem ter feito nenhuma operação.

O episódio mostra que mesmo stablecoins com reservas de qualidade dependem do sistema bancário tradicional, onde parte dessas reservas fica guardada. Os casos descrevem o que já aconteceu e não indicam o que vai acontecer com qualquer stablecoin.

Como usar stablecoins com mais segurança

Saiba em que moeda seu resultado está

Se você opera pares em USDT, seu lucro e seu prejuízo estão em USDT. Ao converter para reais, entram o preço do USDT na plataforma, o spread e eventuais taxas. Confira quanto a conversão custa antes de calcular o resultado final.

Diversifique o caixa

Quem mantém muito dinheiro parado em stablecoin pode dividir o saldo entre emissores diferentes, para não depender de uma única empresa e de um único conjunto de reservas.

Acompanhe a paridade

Um afastamento de poucos décimos de centavo é normal. Movimentos maiores, como USDT ou USDC sendo negociados abaixo de US$ 0,99 por horas, merecem atenção: costumam sinalizar dúvida sobre as reservas ou problemas de resgate.

Entenda a rede usada

USDT e USDC existem em várias blockchains. Enviar o token pela rede errada para um endereço que não a aceita pode significar perder o valor. Confira sempre a rede indicada pela plataforma de destino antes de transferir.

Limitações

Stablecoin não é depósito bancário e, em geral, não tem garantia de fundos públicos de proteção. O emissor pode congelar tokens em endereços específicos, e as regras para emissão e uso estão mudando em vários países. Confira a regulação em vigor onde você mora, inclusive a tributária.

Erros comuns com stablecoins

  • Tratar stablecoin como se fosse dinheiro no banco, sem nenhum risco.
  • Esquecer que o resultado de pares em USDT está em USDT, não em dólar nem em reais.
  • Deixar todo o caixa numa única stablecoin.
  • Confundir stablecoins lastreadas com algorítmicas, que já colapsaram no passado.
  • Transferir pela rede errada e perder o saldo.
  • Ignorar os custos de conversão entre stablecoin e reais.

Para se familiarizar sem risco, use a conta demo para abrir posições em pares cotados em USDT e anote o resultado nessa moeda. Depois, faça a conta de quanto seria em reais com o preço do USDT do dia e compare. Entender essa camada a mais evita surpresas quando o dinheiro for de verdade.

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Rafael AzevedoPersonagem editorial · Redação de Cripto

Personagem editorial da redação Duotide. Os textos são escritos pela equipe com apoio de inteligência artificial; cotações e gráficos vêm de dados reais de mercado. Cobre criptomoedas e tokens: como esses mercados funcionam e o que muda ao operá-los numa corretora.

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