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Análise técnicaTopo duplo e fundo duplo: como reconhecer o padrão e calcular o alvo
Naomi TanakaPersonagem editorial · Redação de Análise
Resposta rápida
Topo duplo é um padrão de reversão em que o preço testa duas vezes a mesma região de máxima, falha nas duas e depois fecha abaixo da mínima entre os dois picos, a linha do pescoço. O fundo duplo é o espelho, no fim de uma queda. O alvo clássico é a altura do padrão projetada a partir da linha do pescoço, mas ele é uma referência, não uma promessa.
Topo duplo e fundo duplo estão entre os padrões gráficos mais citados da análise técnica, e também entre os mais vistos onde não existem. Duas máximas parecidas aparecem o tempo todo em qualquer gráfico; a maioria delas é só uma resistência que o preço testou duas vezes e depois rompeu. O que separa um padrão de verdade de uma coincidência é o que acontece depois do segundo teste.
Neste guia usamos as cotações diárias reais do ouro (contrato futuro GC=F) entre janeiro e outubro de 2026. No período, o metal formou um topo duplo e um fundo duplo bem nítidos, e cada um ensina uma coisa diferente sobre confirmação e alvo.
O que é topo duplo e o que é fundo duplo
O topo duplo aparece depois de uma alta. O preço sobe até uma máxima, recua, volta a subir até perto da mesma região e falha de novo. O desenho lembra a letra M. O ponto mais baixo entre os dois picos é a linha do pescoço. Enquanto o preço está acima dela, não há padrão nenhum, só dois testes de resistência. O topo duplo só existe quando o preço fecha abaixo da linha do pescoço.
O fundo duplo é o espelho: depois de uma queda, o preço testa duas vezes a mesma região de mínima, forma um W, e o padrão se confirma quando o preço fecha acima da máxima entre os dois fundos.
O que costuma diferenciar o padrão de uma simples resistência
- Tendência anterior: topo duplo precisa de uma alta antes; fundo duplo, de uma queda. Sem movimento a reverter, não há reversão.
- Distância entre os picos: picos colados, a poucos candles um do outro, são ruído. No diário, é comum exigir pelo menos algumas semanas entre eles.
- Altura parecida: os dois picos não precisam ser idênticos. Uma diferença de até 3% costuma ser aceita no gráfico diário.
- Recuo relevante entre eles: o vale entre os picos precisa ser uma correção de verdade, não um respiro de dois dias.
- Fechamento além do pescoço: é o único gatilho. Sombra que fura e volta não confirma.

Como calcular o alvo pela linha do pescoço
A medida clássica é simples: altura do padrão projetada a partir da linha do pescoço.
- Topo duplo: alvo = linha do pescoço − (pico mais alto − linha do pescoço).
- Fundo duplo: alvo = linha do pescoço + (linha do pescoço − fundo mais baixo).
Exemplo com o topo duplo do ouro
O ouro marcou máxima de US$ 5.586,20 em 29/01/2026. Recuou até US$ 4.423,20 em 02/02 e voltou a subir até US$ 5.434,10 em 02/03, 2,7% abaixo do primeiro pico. A mínima de 02/02 é a linha do pescoço.
- Altura: 5.586,20 − 4.423,20 = US$ 1.163,00
- Alvo: 4.423,20 − 1.163,00 = US$ 3.260,20
Exemplo com o fundo duplo do ouro
No fim da queda, o ouro marcou mínima de US$ 3.955,40 em 30/06 e de US$ 3.963,00 em 17/07, uma diferença de 0,2%. A máxima entre os dois fundos foi US$ 4.215,50, em 06/07.
- Altura: 4.215,50 − 3.955,40 = US$ 260,10
- Alvo: 4.215,50 + 260,10 = US$ 4.475,60
Exemplo real: o ouro em 2026
O gráfico mostra os candles diários do ouro de 02/01 a 07/10/2026. Do pico de janeiro à mínima de 30/06, o metal caiu 29,2%. Os dois padrões acima estão dentro desse caminho, e o resultado de cada um foi bem diferente.
Março: o topo duplo confirmou, voltou e só depois funcionou
O primeiro fechamento abaixo da linha do pescoço veio em 23/03, a US$ 4.407,30. Pela regra, o padrão estava confirmado. Só que dois pregões depois, em 25/03, o ouro já fechava de volta acima dela, a US$ 4.552,30, e em 17/04 chegou a US$ 4.917,70. Quem vendeu no rompimento com stop logo acima do pescoço foi estopado. A queda forte só veio em junho, e a mínima do período, US$ 3.955,40, ficou longe do alvo teórico de US$ 3.260,20. Em padrões grandes, com altura de mais de 20% do preço, o alvo medido costuma ser ambicioso demais.
Julho e agosto: o fundo duplo de manual
O fundo duplo foi o oposto. Depois do segundo fundo, em 17/07, o preço levou algumas semanas para superar a linha do pescoço: o primeiro fechamento acima de US$ 4.215,50 veio em 05/08, a US$ 4.305,20. Em 11/08 a máxima do dia chegou a US$ 4.495, acima do alvo de US$ 4.475,60, e a alta seguiu até US$ 4.755 em 25/08. Aqui a altura do padrão era de cerca de 6,6% do preço, e o alvo foi atingido em quatro pregões.
O que os dois casos têm em comum
Nos dois, a diferença entre um padrão e uma resistência só ficou clara depois do fechamento além do pescoço. Antes disso, o ouro de fevereiro e o de julho eram apenas um mercado testando de novo uma região conhecida. Os exemplos descrevem o que aconteceu; o mesmo desenho pode dar outro resultado da próxima vez.

Como usar topo duplo e fundo duplo
Espere o fechamento além da linha do pescoço
Entrar no segundo pico apostando que ele vai segurar é operar uma resistência, não um topo duplo. Pode funcionar, mas a lógica e o risco são outros. O padrão só começa no fechamento abaixo do pescoço, no caso do topo, ou acima, no caso do fundo.
Considere o reteste
Depois do rompimento, é comum o preço voltar até a linha do pescoço antes de seguir. Alguns operadores preferem entrar nesse reteste, com stop curto do outro lado da linha. Março mostrou o risco: o reteste pode virar retorno completo, e aí o padrão falhou.
Use o alvo como referência de saída parcial
O alvo medido serve para avaliar se a relação entre risco e retorno compensa. Se o stop fica a US$ 100 da entrada e o alvo a US$ 260, a operação tem uma relação de 2,6 para 1. Muitos operadores realizam parte da posição no alvo e deixam o restante com stop móvel.
Onde colocar o stop
No topo duplo, o stop conservador fica acima do segundo pico; o agressivo, acima da linha do pescoço. No fundo duplo, abaixo do segundo fundo ou abaixo do pescoço. O stop agressivo é menor, mas é estopado com mais frequência em retornos como o de março.
Limitações
O padrão é visual e depende de quem olha: dois analistas podem escolher pescoços diferentes. Ele também não diz nada sobre notícias e fundamentos. Em ativos com gaps frequentes, o preço pode atravessar a linha do pescoço e o stop de uma vez só.
Erros comuns com topo duplo e fundo duplo
- Chamar de topo duplo qualquer par de máximas parecidas, antes do fechamento abaixo da linha do pescoço.
- Procurar o padrão sem tendência anterior, no meio de um mercado lateral.
- Tratar o alvo medido como certeza: em março, o preço ficou longe dele.
- Considerar uma sombra que furou o pescoço como confirmação.
- Operar sem stop porque o desenho parece perfeito.
- Esquecer que o histórico não garante o futuro: os casos acima mostram o que aconteceu, não o que vai acontecer.
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