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Indicador ZigZag: o que é, como configurar e por que ele repinta

Naomi TanakaPersonagem editorial · Redação de Análise

Resposta rápida

O ZigZag é um filtro que liga apenas os topos e fundos em que o preço reverteu mais que um limite mínimo, como 5% ou 10%, e ignora as oscilações menores. Ele serve para enxergar a estrutura do gráfico, medir o tamanho das pernas e marcar suportes e resistências. Não serve como sinal de entrada: só confirma uma virada depois que o preço já andou o limite inteiro, e a última perna pode mudar, ou repintar, a cada novo candle.

Olhar um gráfico diário sem filtro nenhum cansa: dezenas de pequenas subidas e descidas disputam a atenção e escondem o movimento que realmente importou. O ZigZag resolve esse problema visual traçando linhas retas que ligam apenas os topos e fundos relevantes, e ignorando tudo o que fica no meio do caminho.

Neste guia usamos os fechamentos diários reais do Ibovespa entre março e outubro de 2026 para mostrar como o indicador decide o que é ruído, quanto tempo ele demora para confirmar um topo ou um fundo e por que a última perna do desenho não é confiável.

O que é o ZigZag

O ZigZag não é um oscilador nem uma média. Ele é um filtro: você define uma variação mínima, em porcentagem ou em pontos, e o indicador só desenha uma nova perna quando o preço anda pelo menos isso na direção oposta a partir do último topo ou fundo. Movimentos menores que o limite simplesmente não aparecem. Com 5%, uma correção de 3% no meio de uma alta fica invisível.

Algumas plataformas usam máximas e mínimas; outras, só fechamentos. Neste artigo usamos fechamentos, o que evita a ambiguidade de pregões em que o preço faz máxima e mínima extremas no mesmo dia.

Como o ZigZag é calculado

  • Comece em um ponto e acompanhe o preço, guardando o maior fechamento (topo provisório) enquanto a perna for de alta.
  • Quando um fechamento ficar pelo menos X% abaixo do topo provisório, aquele topo é confirmado e começa uma perna de baixa.
  • Na perna de baixa, guarde o menor fechamento (fundo provisório) até que um fechamento fique X% acima dele. Aí o fundo é confirmado.
  • Repita. A última perna fica sempre em aberto.

Exemplo com dados reais do Ibovespa

Com limite de 5%, o Ibovespa marcou topo em 14/04/2026, fechando a 198.657 pontos. Para esse topo ser confirmado, era preciso um fechamento abaixo de 198.657 × 0,95 = 188.724 pontos. Isso só aconteceu em 28/04, com fechamento a 188.619, nove pregões depois do topo.

No sentido contrário, o fundo de 18/08 (166.335 pontos) exigia um fechamento acima de 166.335 × 1,05 = 174.652 pontos. O primeiro veio em 27/08, a 175.135 pontos, sete pregões depois. Nos dois casos, quando o ZigZag desenhou a perna, o preço já estava 5% longe do ponto de virada.

Exemplo real: o ZigZag no Ibovespa em 2026

Gráfico: Ibovespa, diário, de 02/03/2026 a 07/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.
Gráfico: Ibovespa, diário, de 02/03/2026 a 07/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.

O Ibovespa começou a janela a 189.307 pontos em 02/03 e fechou 07/10 a 204.302, alta de 7,92% no período, com mínima intradiária de 164.835 em 14/08. Com limite de 5% nos fechamentos, o ZigZag reduz esses sete meses a seis pernas:

  • Topo de 189.307 (02/03) até fundo de 176.219 (20/03): queda de 6,91%.
  • Fundo de 176.219 até topo de 198.657 (14/04): alta de 12,73%.
  • Topo de 198.657 até fundo de 168.278 (18/06): queda de 15,29%.
  • Fundo de 168.278 até topo de 178.000 (03/08): alta de 5,78%.
  • Topo de 178.000 até fundo de 166.335 (18/08): queda de 6,55%.
  • Fundo de 166.335 até o topo provisório de 206.912 (05/10): alta de 24,39%, ainda em aberto.

O atraso na confirmação

O fundo de 18/06 é o caso mais extremo. O preço subiu devagar a partir dali, e o fechamento 5% acima (177.866 pontos) só veio em 10/07, 16 pregões depois. Durante mais de três semanas, o ZigZag ainda mostrava a perna de baixa como se ela continuasse. Quem esperasse o indicador para reconhecer o fundo teria entrado bem depois da virada.

O mesmo gráfico com 10%

Trocando o limite para 10%, sobram só três pontos: fundo de 176.219 em 20/03, topo de 198.657 em 14/04 e fundo de 166.335 em 18/08, com a perna atual em aberto até 206.912. A queda de abril a agosto vira uma perna só, de 16,27%, e a pequena alta de junho a agosto desaparece. A confirmação também demora mais: o topo de 14/04 só foi confirmado em 13/05, 19 pregões depois, e o fundo de 18/08 em 02/09, 11 pregões depois.

A última perna repinta

Em 05/10 o índice fechou a 206.912 pontos, 7,70% acima do fechamento anterior, e o ZigZag marcou ali o topo provisório. Em 07/10 o fechamento foi 204.302, só 1,26% abaixo. Esse topo só vira definitivo se houver um fechamento abaixo de 196.566 (5% abaixo); se o índice fizer um fechamento acima de 206.912 antes disso, o topo simplesmente muda de lugar no desenho. É isso que os traders chamam de repintura.

Como usar o ZigZag

Encontrar topos e fundos para suporte e resistência

O uso mais honesto do ZigZag é retrospectivo. Os fundos de 168.278 (junho) e 166.335 (agosto) ficaram a pouco mais de 1% um do outro, uma região de suporte que salta aos olhos com o filtro ligado e fica escondida no meio das velas sem ele.

Medir o tamanho das pernas

Como cada linha liga um topo a um fundo, fica fácil comparar movimentos. No Ibovespa, as pernas de 2026 com filtro de 5% variaram de 5,78% a 24,39%. Isso ajuda a calibrar alvos e stops com base no que o ativo costuma fazer, e serve de base para traçar retrações de Fibonacci.

Escolher o limite

Limites pequenos (1% a 3%) mostram mais detalhe e trazem de volta parte do ruído; limites grandes (8% a 10%) deixam só os movimentos principais. Ativos mais voláteis pedem limites maiores. Uma regra prática é usar algo perto de duas a três vezes a variação diária média do ativo no prazo em que você opera.

Limitações

O ZigZag não prevê nada: ele confirma topos e fundos depois que o preço já andou o limite inteiro na direção contrária, e a última perna pode mudar a cada novo candle. Por isso, não serve como gatilho de entrada. Combine-o com um indicador de momento, como o RSI, ou com volume para decidir o momento de agir.

Erros comuns ao usar o ZigZag

  • Usar o topo ou fundo mais recente como se fosse definitivo, esquecendo que a última perna repinta.
  • Fazer backtest com o ZigZag sem levar em conta o atraso: no histórico, o indicador parece acertar todos os topos porque eles já foram confirmados.
  • Comprar ou vender no momento em que uma perna aparece, quando o preço já andou 5% ou 10% desde a virada.
  • Escolher o limite sem relação com a volatilidade do ativo, o que gera pernas demais ou de menos.
  • Achar que o desenho passado indica o próximo movimento: os exemplos acima descrevem o que aconteceu com o Ibovespa, não o que vai acontecer.

Para praticar sem arriscar dinheiro, abra o gráfico do Ibovespa ou de outro ativo na conta demo, aplique o ZigZag com 5% e com 10% e anote, a cada nova perna, em que dia o indicador confirmou o topo ou o fundo e quanto o preço já tinha andado. Esse registro mostra na prática o tamanho do atraso.

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Naomi TanakaPersonagem editorial · Redação de Análise

Personagem editorial da redação Duotide. Os textos são escritos pela equipe com apoio de inteligência artificial; cotações e gráficos vêm de dados reais de mercado. Explica gráficos, indicadores e estratégias de operação: como funcionam, onde falham e como testar antes de usar.

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