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Índice do dólar (DXY): o que é e por que move ouro, euro e bitcoin

Naomi TanakaPersonagem editorial · Redação de Análise

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O índice do dólar (DXY) mede o valor do dólar americano contra uma cesta de seis moedas: euro, iene, libra, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço. O euro responde por 57,6% do índice, por isso o DXY se move quase como o inverso do EUR/USD. Dólar forte costuma pesar sobre ouro e outros ativos cotados em dólar, mas essa relação varia muito com o tempo e não deve ser tratada como regra.

Quando um comentarista diz que "o dólar subiu", raramente está falando de uma única moeda. Na maior parte das vezes, a referência é o índice do dólar, conhecido pelo código DXY. Ele aparece em análises de câmbio, de ouro, de petróleo e de criptomoedas, porque quase tudo no mercado global é cotado em dólar.

Neste guia, explicamos como o índice é montado, por que ele é praticamente um espelho do euro e o que as cotações reais de 2026 mostram sobre a relação entre o dólar, o ouro e o bitcoin.

O que é o índice do dólar (DXY)

O DXY é um índice que compara o dólar americano com seis moedas de países com grande comércio com os Estados Unidos. Ele começou com base 100 em março de 1973, logo após o fim do sistema de câmbio fixo de Bretton Woods. Um DXY em 110 significa que o dólar está 10% mais forte que naquela base, em relação à cesta; em 90, 10% mais fraco.

Os pesos foram ajustados uma única vez, em 1999, quando o euro substituiu várias moedas europeias. Desde então a cesta é:

  • Euro (EUR): 57,6%
  • Iene japonês (JPY): 13,6%
  • Libra esterlina (GBP): 11,9%
  • Dólar canadense (CAD): 9,1%
  • Coroa sueca (SEK): 4,2%
  • Franco suíço (CHF): 3,6%

Chama atenção quem ficou de fora: yuan chinês, peso mexicano e real brasileiro não entram. Por isso o DXY mede o dólar contra moedas de países desenvolvidos, e não contra o mundo todo.

Como o DXY é calculado

O índice é uma média geométrica ponderada das seis cotações, multiplicada por uma constante que mantém a base de 1973:

  • DXY = 50,14348112 × EURUSD^(−0,576) × USDJPY^(0,136) × GBPUSD^(−0,119) × USDCAD^(0,091) × USDSEK^(0,042) × USDCHF^(0,036)

Os expoentes negativos aparecem nos pares em que o dólar é a segunda moeda (EUR/USD e GBP/USD): quando essas cotações sobem, o dólar está se enfraquecendo, e o índice cai.

O peso do euro na prática

Em 02/01/2026, o EUR/USD fechou a 1,17505; em 07/10/2026, a 1,12535, queda de 4,2%. Só pelo peso de 57,6% do euro, esse movimento empurraria o DXY cerca de 2,5% para cima, mesmo que as outras cinco moedas ficassem paradas. É por isso que, na maior parte do tempo, olhar o gráfico do EUR/USD de cabeça para baixo dá uma boa ideia do que o DXY está fazendo.

Exemplo real: o euro, o ouro e o bitcoin em 2026

Gráfico: EUR/USD, diário, de 02/01/2026 a 07/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.
Gráfico: EUR/USD, diário, de 02/01/2026 a 07/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.

O gráfico mostra o EUR/USD com a média móvel de 50 dias entre janeiro e outubro de 2026. O par fez máxima de 1,20236 em 28/01 e terminou 07/10 a 1,12535, 6,4% abaixo dela. Em termos de DXY, isso significa um dólar mais forte ao longo do ano.

A média de 50 dias mostra as fases

O preço fechou abaixo da média de 50 dias em 02/03, voltou acima em 10/04, perdeu de novo em 20/05 e só retomou em 31/07. Em 17/09 voltou a fechar abaixo, a 1,14699, e em 07/10 estava em 1,12535, contra uma média de 1,15220. Cada fase abaixo da média corresponde a um período de dólar ganhando força contra o euro.

O dólar e o ouro

Comparando as variações semanais (a cada cinco pregões) entre 01/04 e 07/10/2026, a correlação entre o EUR/USD e o ouro foi de 0,64: nas semanas em que o euro subia (dólar mais fraco), o ouro tendia a subir junto. No período, o EUR/USD caiu 2,8% e o ouro, 14%. Quando estendemos a conta para 2022 a 2026, a mesma correlação cai para 0,26. A relação existe, mas varia bastante.

O dólar e o bitcoin

Com o bitcoin, a ligação foi ainda mais fraca: correlação semanal de 0,33 no mesmo período de 2026 e de 0,12 entre 2022 e 2026. Entre 01/04 e 07/10, o BTC subiu 22,3% enquanto o euro perdia valor frente ao dólar, o oposto do que a leitura "dólar forte derruba o bitcoin" sugeriria. Esses números descrevem o que aconteceu, não o que vai acontecer.

Como usar o DXY na análise

Como termômetro do dólar

Antes de operar qualquer par com o dólar, vale olhar o DXY para saber se o movimento é do dólar como um todo ou só daquela moeda. Se o EUR/USD cai e o DXY sobe com força, o motivo provavelmente está no dólar; se o DXY está parado, a explicação deve estar no euro.

Em ativos cotados em dólar

Ouro, petróleo e muitas commodities são cotados em dólar. Com o dólar mais forte, eles ficam mais caros para quem compra em outras moedas, o que tende a reduzir a demanda. É uma pressão, não uma lei: outros fatores frequentemente dominam.

Com a agenda dos Estados Unidos

Dados de inflação, de emprego e as decisões de juros do Fed costumam mover o dólar. As datas de divulgação devem ser conferidas no calendário econômico oficial antes de operar.

Limitações

O DXY ignora moedas de emergentes e o yuan, que hoje têm grande peso no comércio americano. Como o euro domina a cesta, o índice pode subir só por fraqueza europeia, sem que o dólar esteja forte contra o resto do mundo. E as correlações com ouro e cripto mudam de sinal e de intensidade com o tempo.

Erros comuns ao usar o índice do dólar

  • Tratar a relação inversa entre dólar e ouro como regra fixa.
  • Usar o DXY como medida do dólar contra o real ou contra moedas emergentes.
  • Esquecer que o euro pesa mais da metade do índice e analisar os dois como se fossem independentes.
  • Abrir operação em bitcoin só por causa do movimento do dólar, sem olhar o gráfico do próprio ativo.
  • Confundir correlação com causa: dois ativos podem andar juntos por motivos diferentes.

Na conta demo, acompanhe por algumas semanas o EUR/USD ao lado do ouro e de um ativo que você opera, e anote nos dias de grande movimento do dólar o que aconteceu com os outros. O seu registro vai mostrar quanto essa relação ajuda de fato nas suas decisões.

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Naomi TanakaPersonagem editorial · Redação de Análise

Personagem editorial da redação Duotide. Os textos são escritos pela equipe com apoio de inteligência artificial; cotações e gráficos vêm de dados reais de mercado. Explica gráficos, indicadores e estratégias de operação: como funcionam, onde falham e como testar antes de usar.

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