5 min de leitura

Atualizado em:

Indicadores

O que são as bandas de Bollinger e como calcular

Naomi TanakaPersonagem editorial · Redação de Análise

Resposta rápida

As bandas de Bollinger são um canal formado por uma média móvel simples de 20 períodos e duas linhas a 2 desvios padrão acima e abaixo dela. Elas medem volatilidade e o quanto o preço está esticado em relação à própria média. Tocar ou fechar fora da banda não é sinal automático de reversão: em tendência forte, o preço pode andar colado na banda por vários dias.

Criadas por John Bollinger nos anos 1980, as bandas aparecem em praticamente qualquer plataforma de gráficos, e quase todo iniciante aprende a mesma regra simplificada: tocou em cima, vende; tocou embaixo, compra. Essa regra ignora o que o indicador realmente mede.

Neste guia usamos as cotações diárias reais do índice S&P 500 entre abril e outubro de 2026 para mostrar o cálculo e o que aconteceu, de fato, nos toques às bandas e no aperto do canal.

O que são as bandas de Bollinger

O indicador tem três linhas. A do meio é uma média móvel simples, normalmente de 20 períodos. As de fora ficam a uma distância de 2 desvios padrão dessa média. O desvio padrão mede o quanto os preços se espalham em torno da média: em dias agitados ele cresce e as bandas se afastam; em dias calmos ele encolhe e as bandas se aproximam.

Por isso as bandas fazem duas coisas ao mesmo tempo: mostram a volatilidade recente (pela largura do canal) e mostram o quanto o preço atual está longe do seu comportamento normal (pela posição em relação às bandas).

Como calcular as bandas de Bollinger

  • Banda central: média simples dos últimos 20 fechamentos.
  • Desvio padrão: raiz quadrada da média dos quadrados das diferenças entre cada fechamento e a média.
  • Banda superior: média + 2 × desvio padrão.
  • Banda inferior: média − 2 × desvio padrão.

Exemplo com dados reais do S&P 500

Pegamos os 20 fechamentos diários de 10/09/2026 a 07/10/2026. O menor foi 7.551,81 pontos (16/09) e o maior, 7.818,93 (06/10).

  • Média dos 20 fechamentos: 7.688,36
  • Desvio padrão: 72,11
  • Banda superior: 7.688,36 + 2 × 72,11 = 7.832,58
  • Banda inferior: 7.688,36 − 2 × 72,11 = 7.544,14

O canal tinha 288,44 pontos de largura, ou 3,75% da média. O fechamento de 07/10, 7.801,77, estava dentro do canal, perto da banda de cima. Algumas plataformas usam o desvio padrão amostral (dividindo por 19 em vez de 20), o que alarga um pouco as bandas; a leitura não muda.

Exemplo real: as bandas no S&P 500 em 2026

Gráfico: S&P 500, diário, de 01/04/2026 a 07/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.
Gráfico: S&P 500, diário, de 01/04/2026 a 07/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.

No período, o índice subiu de 6.575,32 pontos (01/04) para 7.801,77 (07/10), alta de 18,7%. Em 131 pregões, o fechamento ficou fora das bandas só 8 vezes, cerca de 6% dos dias. Três trechos mostram bem como ler o indicador.

Abril: preço andando pela banda de cima

Em 14/04 o S&P 500 fechou a 6.967,38, acima da banda superior (6.943,79), e repetiu no dia seguinte, a 7.022,95. Quem vendesse por estar esticado teria lutado contra a alta: dez pregões depois de 14/04 o índice estava 2,5% acima, e em 30/04 fechou a 7.209,01. A largura do canal chegou a 15,4% da média em 23/04, o maior valor do período. Em tendência forte, fechar acima da banda mostra força, não esgotamento.

Junho e julho: toques na banda de baixo

Em 10/06 o índice fechou a 7.266,99, abaixo da banda inferior (7.288,86), e dez pregões depois estava 1,3% acima. Em 29/07 fechou a 7.316,15, abaixo da banda inferior (7.356,35), e dez pregões depois estava 5,9% acima. Num mercado em alta de fundo, os toques na banda de baixo funcionaram como recuos. Isso descreve o que aconteceu nesse período, não uma regra que se repete sempre.

Setembro: o squeeze e os movimentos para os dois lados

Em 31/08 a largura do canal caiu para 2,13% da média, a menor da janela, com o índice a 7.686,14. O aperto antecedeu movimento, mas não indicou a direção: primeiro o índice caiu e fechou 16/09 a 7.551,81, abaixo da banda inferior (7.563,95); depois subiu e fechou 06/10 a 7.818,93, acima da banda superior (7.816,09). Quem apostasse num lado só depois do squeeze teria acertado ou errado conforme o momento da entrada.

Como usar as bandas de Bollinger

Em mercado lateral

Quando o preço oscila sem direção, os toques nas bandas tendem a marcar extremos da faixa, e a volta para a média é mais provável. É o uso de reversão à média, e funciona melhor com confirmação, como um candle de rejeição.

Em tendência

Na tendência, a banda vira referência de força. Fechamentos seguidos perto da banda de cima mostram alta saudável; recuos até a média central podem servir de ponto de interesse a favor da tendência, como em abril.

Squeeze

Bandas muito apertadas indicam volatilidade baixa, que costuma ser seguida de volatilidade maior. Use o squeeze como alerta de que algo vai se mexer e espere o rompimento confirmado para saber a direção.

Limitações

As bandas são calculadas só com preços passados, então atrasam em mudanças bruscas. A ideia de que 95% dos preços ficam dentro de 2 desvios vem da distribuição normal, e os mercados têm movimentos extremos com mais frequência do que essa distribuição prevê. Ajustar período e multiplicador muda o número de toques: teste no ativo antes de mudar.

Erros comuns com as bandas de Bollinger

  • Vender todo toque na banda de cima e comprar todo toque na de baixo, sem olhar a tendência.
  • Tratar o squeeze como sinal de direção, quando ele só anuncia aumento de volatilidade.
  • Usar as bandas sozinhas, sem suporte, resistência ou volume.
  • Comparar a largura das bandas entre ativos com volatilidades muito diferentes.
  • Esquecer que os exemplos descrevem o que aconteceu, não o que vai acontecer.

Para praticar sem arriscar dinheiro, abra o gráfico diário de um índice na conta demo, adicione as bandas de 20 períodos e 2 desvios e anote, por algumas semanas, o que o preço fez depois de cada fechamento fora do canal e de cada squeeze. O registro mostra se o indicador ajuda no ativo e no prazo que você opera.

Pratique antes de arriscar. Crie sua conta na Duotide e teste suas ideias na conta demo com US$ 10.000 virtuais.

Criar conta grátis

Atualizado em:

Naomi TanakaPersonagem editorial · Redação de Análise

Personagem editorial da redação Duotide. Os textos são escritos pela equipe com apoio de inteligência artificial; cotações e gráficos vêm de dados reais de mercado. Explica gráficos, indicadores e estratégias de operação: como funcionam, onde falham e como testar antes de usar.

Este artigo foi útil?

Seja o primeiro a avaliar.

Comentários

  1. Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Pronto para colocar em prática?

Abra sua conta e treine na conta demo com US$ 10.000 virtuais, sem arriscar dinheiro.

  • Plataforma seguraLogin protegido e verificação de identidade
  • Suporte em portuguêsAtendimento todos os dias
  • Conta demo grátisUS$ 10.000 virtuais para treinar

Operar envolve risco de perda do capital investido.