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Criptomoedas

Quando todo o bitcoin será minerado?

Rafael AzevedoPersonagem editorial · Redação de Cripto

Resposta rápida

O último bitcoin deve ser minerado por volta do ano 2140. O limite é de 21 milhões de unidades, e a recompensa dos mineradores cai pela metade a cada 210 mil blocos (cerca de quatro anos), por isso a emissão vai diminuindo sem nunca parar de repente. Mais de 95% do total já foi minerado; os últimos 5% vão levar mais de um século.

Diferente de moedas tradicionais, que um banco central pode emitir quando julgar necessário, o bitcoin nasceu com uma regra de escassez escrita no próprio código: nunca vão existir mais de 21 milhões de unidades. Essa característica é central no argumento de quem vê o ativo como reserva de valor, e também é uma das maiores fontes de dúvida de quem começa a estudar criptomoedas.

Neste artigo explicamos como funciona o limite de emissão, por que a última fração só deve ser minerada daqui a mais de um século e, com cotações reais de 2026, quanto a emissão nova pesa de fato no mercado.

Por que existe o limite de 21 milhões

Novos bitcoins entram em circulação como recompensa para os mineradores, que validam os blocos de transações. Um bloco é produzido, em média, a cada 10 minutos, cerca de 144 por dia. O código define que essa recompensa cai pela metade a cada 210 mil blocos, num evento chamado halving. A soma de todas as recompensas, de 50 bitcoins por bloco em 2009 até a última fração, dá um pouco menos de 21 milhões: 20.999.999,9769 unidades.

Como o halving atrasa o fim da mineração

Os 210 mil blocos levam cerca de quatro anos para serem produzidos. A recompensa já passou por quatro cortes:

  • 2009: 50 BTC por bloco.
  • 2012: 25 BTC.
  • 2016: 12,5 BTC.
  • 2020: 6,25 BTC.
  • Abril de 2024 (bloco 840.000): 3,125 BTC, valor em vigor hoje.

Quanto já foi minerado

A conta é exata até o último halving: 210.000 blocos × (50 + 25 + 12,5 + 6,25) = 19.687.500 BTC. De 20/04/2024 até 08/10/2026 passaram 901 dias. Pela média de 144 blocos por dia, foram cerca de 129.700 blocos a 3,125 BTC, ou uns 405 mil BTC a mais. A estimativa é de aproximadamente 20,09 milhões de bitcoins em circulação, 95,7% do total. O número exato depende do ritmo real dos blocos, que varia.

Por que 2140

A menor unidade do bitcoin é o satoshi, um centésimo de milionésimo de BTC. Como a recompensa cai pela metade a cada quatro anos, depois de 33 halvings ela fica menor que um satoshi e chega a zero. Isso acontece no bloco 6.930.000, que pelo ritmo de 10 minutos por bloco deve ser alcançado por volta de 2140. Ou seja: mais de 95% já existe, e os últimos 5% vão levar mais de cem anos para sair.

Exemplo real: quanto a emissão pesa no mercado em 2026

Gráfico: BTC/USDT, diário, de 01/04/2026 a 07/10/2026. Dados: Binance. Elaboração própria.
Gráfico: BTC/USDT, diário, de 01/04/2026 a 07/10/2026. Dados: Binance. Elaboração própria.

O gráfico mostra o bitcoin (BTC/USDT na Binance) de 01/04 a 07/10/2026. Ele começou a janela a US$ 68.113,92, caiu até US$ 57.800,19 em 01/07, chegou a US$ 87.395,67 em 21/09 e fechou 07/10 a US$ 83.321,81, alta de 22,33% no período.

A emissão diária em dólares

Com 144 blocos por dia a 3,125 BTC, a rede emite cerca de 450 BTC novos por dia. Ao preço de fechamento de 07/10/2026, isso equivale a 450 × US$ 83.321,81 = US$ 37.494.814,50 por dia. Em um ano, são 164.250 BTC, cerca de 0,82% da oferta estimada. Depois do próximo halving, previsto para por volta de 2028, a emissão cai para cerca de 225 BTC por dia.

A emissão perto do volume negociado

Entre 01/04 e 07/10/2026, o par BTC/USDT da Binance negociou, em média, 16.195 BTC por dia. Os 450 BTC emitidos diariamente correspondem a 2,78% disso, e esse é só um par de uma única corretora. No curto prazo, o preço é decidido muito mais por quem compra e vende os bitcoins que já existem do que pelos que estão sendo criados.

O halving não marca o preço

No dia do último halving, 20/04/2024, o bitcoin fechou a US$ 64.940,59 na Binance. A máxima do nosso histórico veio em 06/10/2025, a US$ 126.199,63. Em 07/10/2026, o preço estava 34% abaixo dessa máxima. Escassez programada não impediu uma queda grande no meio do ciclo. Esses números descrevem o que aconteceu, não o que vai acontecer no próximo halving.

O que acontece com os mineradores no fim

Quando a recompensa chegar a zero, a renda dos mineradores virá só das taxas pagas em cada transação. Já hoje, a cada halving, a recompensa encolhe e as taxas ganham peso relativo. Se elas serão suficientes para manter a segurança da rede no longo prazo é um dos debates em aberto entre especialistas.

Como usar essa informação

Como característica, não como previsão

O limite de emissão explica por que a oferta nova do bitcoin cai com o tempo. Ele não diz qual será o preço: regulação, adoção, juros, liquidez global e sentimento pesam tanto ou mais.

Para calibrar o risco

A janela do gráfico teve uma variação de cerca de 51% entre a mínima e a máxima em pouco mais de dois meses e meio. Quem pensa em operar bitcoin precisa dimensionar a posição para esse tipo de oscilação, não para a tese de longo prazo.

Limitações

As datas futuras são estimativas: o ritmo de produção de blocos varia com a capacidade de mineração. E parte dos bitcoins já minerados está perdida para sempre em carteiras sem acesso, o que torna a oferta efetiva menor que a oficial, num valor que ninguém sabe medir com precisão.

Erros comuns sobre o fim da mineração

  • Achar que a mineração termina quando o último halving estiver perto: mais de 95% já existe hoje.
  • Tratar o halving como garantia de alta no preço.
  • Ignorar que, no curto prazo, o volume negociado é dezenas de vezes maior que a emissão nova.
  • Confundir oferta máxima com oferta disponível, esquecendo as moedas perdidas.
  • Operar com base na tese de escassez sem stop nem tamanho de posição definido.

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Rafael AzevedoPersonagem editorial · Redação de Cripto

Personagem editorial da redação Duotide. Os textos são escritos pela equipe com apoio de inteligência artificial; cotações e gráficos vêm de dados reais de mercado. Cobre criptomoedas e tokens: como esses mercados funcionam e o que muda ao operá-los numa corretora.

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