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Gestão de risco

Regra 3-5-7 no trading: o que é e como aplicar

Camila NascimentoPersonagem editorial · Redação de Risco e Comportamento

Resposta rápida

A regra 3-5-7 é um conjunto de limites de gestão de risco: arriscar no máximo 3% do capital por operação, manter no máximo 5% em risco somando todas as posições abertas e buscar ganhos de pelo menos 7% nas operações vencedoras. Ela não escolhe ativos nem garante lucro; serve para que uma sequência de perdas não comprometa a conta.

Boa parte dos traders não perde dinheiro por escolher os ativos errados, mas por arriscar demais em cada operação e não ter limite para o total exposto ao mesmo tempo. A regra 3-5-7 organiza esses limites em três números fáceis de lembrar, sem planilha complicada.

Neste artigo explicamos cada número e fazemos as contas em reais com uma conta de R$ 10.000 e as cotações reais do BOVA11, o fundo que acompanha o Ibovespa, entre abril e outubro de 2026.

O que é a regra 3-5-7

  • 3%: risco máximo por operação, ou seja, quanto você perde se o stop for atingido.
  • 5%: risco máximo somado de todas as operações abertas ao mesmo tempo.
  • 7%: ganho mínimo buscado nas operações vencedoras, para que elas superem com folga as perdedoras.

Há variações na forma de descrever o terceiro número: algumas versões falam em 7% do capital, outras em ganhos pelo menos maiores que as perdas numa certa proporção. A ideia comum é a mesma: a operação vencedora precisa valer bem mais do que a perdedora custa.

Como calcular o tamanho da posição pelos 3%

O limite de 3% não é o tamanho da posição; é a perda máxima. A fórmula liga os dois:

Quantidade = (capital × 0,03) ÷ (preço de entrada − preço do stop)

Com R$ 10.000, o risco máximo é R$ 300. O stop fica onde a leitura técnica é invalidada; aqui usamos 2 ATR abaixo da entrada. O ATR mede a amplitude média diária do ativo nos últimos 14 pregões.

Exemplo real: a regra aplicada ao BOVA11

Gráfico: BOVA11.SA, diário, de 01/04/2026 a 06/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.
Gráfico: BOVA11.SA, diário, de 01/04/2026 a 06/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.

O gráfico mostra o BOVA11 de 01/04 a 06/10/2026, com o ATR de 14 dias embaixo. O fundo foi de R$ 184,18 a R$ 202,50 no período, alta de 9,95%, com mínima de R$ 162,07 em 14/08 e máxima de R$ 207,00 em 05/10.

Agosto: uma operação dentro da regra

  • Entrada: 21/08/2026, no fechamento de R$ 168,33, alguns dias depois da mínima do período.
  • ATR do dia: R$ 2,68. Stop a 2 ATR = R$ 5,37 abaixo, em R$ 162,96.
  • Quantidade: 300 ÷ 5,37 = 55,9, arredondado para baixo: 55 cotas, ou R$ 9.258,15 de posição. Risco real: 55 × 5,37 = R$ 295,08, ou 2,95% da conta.
  • Alvo de 7% do capital: R$ 700 ÷ 55 cotas = R$ 12,73 por cota, alvo em R$ 181,06. Relação entre ganho e risco: 12,73 ÷ 5,37 = 2,37.

No caso real, a menor mínima depois da entrada foi R$ 166,49, acima do stop, e o alvo foi atingido em 02/09, quando a máxima chegou a R$ 183,36. Ganho de cerca de R$ 700. Isso descreve uma operação que deu certo; a regra existe para que as que dão errado custem só R$ 300.

Julho: quando a conta não comporta a posição

Em 21/07, o ATR estava em R$ 2,24, o menor do período, com a cota a R$ 170,34. Pela fórmula, 300 ÷ 4,49 daria 66 cotas, ou R$ 11.242,44, mais que a conta inteira. Sem alavancagem, o máximo seria 58 cotas, com risco de cerca de R$ 260. Em períodos calmos, o limite real passa a ser o capital, e não os 3%.

Outubro: a volatilidade dobra e a posição encolhe

O BOVA11 fechou 02/10 a R$ 190,00 e abriu 05/10 a R$ 203,61, um salto de 7,2% entre um pregão e outro. O ATR subiu para R$ 4,25 em 06/10. Com a cota a R$ 202,50, o stop de 2 ATR ficaria a R$ 8,50 de distância, e os mesmos R$ 300 de risco permitiriam só 35 cotas, ou R$ 7.087,50. A regra mantém o risco fixo e deixa a volatilidade decidir o tamanho. Esses exemplos mostram o que aconteceu; não indicam o próximo movimento.

Como aplicar os 5% e os 7%

Os 5% de exposição total

Com a operação de agosto aberta, arriscando R$ 295,08, sobra espaço para arriscar no máximo R$ 204,92 em outras posições, cerca de 2%. Atenção à correlação: uma segunda compra numa ação grande do Ibovespa anda junto com o BOVA11 e, na prática, aumenta a mesma aposta. Três posições de 3% em ativos que se movem juntos podem somar 9% de risco real.

Por que 3% e não 10%

Dez perdas seguidas a 3% deixam a conta de R$ 10.000 com R$ 7.374,24, queda de 26,3%. Arriscando 10%, a mesma sequência leva a R$ 3.486,78, queda de 65,1%. A primeira é difícil, mas recuperável; a segunda compromete a capacidade de continuar.

A matemática dos 7%

Com ganho de 7% nas vencedoras e perda de 3% nas perdedoras, o ponto de equilíbrio é acertar 3 ÷ (3 + 7) = 30% das operações. Com 45% de acerto, a expectativa por operação seria 0,45 × 7 − 0,55 × 3 = 1,5% do capital. Em 40 operações, 18 vencedoras e 22 perdedoras somariam 126 − 66 = 60 pontos percentuais, sem contar custos e o efeito dos juros compostos.

Limitações

A regra não garante lucro. O stop pode ser executado pior que o planejado em saltos de preço, como o de 05/10. Alvos de 7% do capital podem ser distantes demais para ativos de baixa volatilidade e forçar operações longas. E 3% ainda é alto para muitos perfis: há quem prefira 1% ou 2% por operação dentro da mesma estrutura.

Erros comuns na regra 3-5-7

  • Confundir 3% de risco com 3% do capital investido na posição.
  • Respeitar os 3% em cada operação e esquecer de somar o risco das posições abertas.
  • Ignorar a correlação entre ativos que andam juntos.
  • Arredondar a quantidade para cima e passar do limite.
  • Mover o stop depois da entrada, aumentando o risco real.
  • Aceitar operações com alvo menor que o risco porque o sinal parece bom.

Para treinar a regra, abra a conta demo com o mesmo capital que pretende usar e, antes de cada operação, calcule a quantidade pelo stop, some o risco das posições abertas e confira o alvo. Registre tudo por algumas semanas: o registro mostra se você consegue respeitar os três números quando o mercado aperta.

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Camila NascimentoPersonagem editorial · Redação de Risco e Comportamento

Personagem editorial da redação Duotide. Os textos são escritos pela equipe com apoio de inteligência artificial; cotações e gráficos vêm de dados reais de mercado. Escreve sobre gestão de risco, tamanho de posição e a psicologia por trás das decisões de quem opera.

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