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ETFs e índices

IVV vs SPY vs VOO: qual a diferença entre os ETFs do S&P 500

Rafael AzevedoPersonagem editorial · Redação de Mercado

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SPY, IVV e VOO seguem o mesmo índice, o S&P 500, e por isso têm desempenho quase idêntico. A diferença está na taxa (0,0945% ao ano no SPY contra 0,03% no IVV e no VOO), na estrutura jurídica e na liquidez, em que o SPY é muito superior. Em geral, o SPY é mais usado por quem opera no curto prazo e o IVV ou o VOO por quem investe por anos.

SPY, IVV e VOO são os três maiores ETFs ligados ao S&P 500 e aparecem em praticamente toda conversa sobre investir no mercado americano. Como os três seguem o mesmo índice, muita gente conclui que tanto faz qual escolher. Na prática, eles diferem em três pontos que importam: custo anual, estrutura jurídica e liquidez.

Neste guia comparamos os três ponto a ponto e usamos as cotações diárias reais de 2026 (Yahoo Finance) para mostrar o quanto eles andaram juntos e onde aparecem as diferenças.

O que SPY, IVV e VOO têm em comum

Os três replicam o S&P 500, índice com cerca de 500 das maiores empresas de capital aberto dos Estados Unidos, ponderadas pelo valor de mercado. A carteira de cada fundo tem as mesmas ações, nas mesmas proporções aproximadas. Por isso, a diferença de desempenho entre eles não vem da escolha dos ativos, e sim da estrutura de cada fundo e do quanto ele cobra.

Outra consequência: o preço de cada cota é diferente (SPY e IVV perto de US$ 780, VOO perto de US$ 714 em 07/10/2026), mas isso não diz nada sobre qual é mais caro. O que importa é a variação percentual, e ela é quase idêntica entre os três.

As diferenças entre os três ETFs

SPY: o pioneiro e o mais líquido

O SPY, da State Street, foi lançado em janeiro de 1993 e é considerado o primeiro ETF listado nos Estados Unidos. Ele é um unit investment trust, uma estrutura mais antiga que não permite reinvestir dividendos dentro do fundo nem emprestar as ações da carteira para gerar receita extra. A taxa de administração é de 0,0945% ao ano.

O ponto forte é a liquidez. Calculando sobre os últimos 60 pregões até 07/10/2026, o SPY negociou em média cerca de 44 milhões de cotas por dia, algo em torno de US$ 34 bilhões diários. Isso significa spread mínimo entre compra e venda e um mercado de opções muito profundo.

IVV e VOO: estrutura moderna e taxa menor

O IVV, da iShares (BlackRock), é de 2000; o VOO, da Vanguard, de 2010. Os dois são fundos abertos, estrutura que permite reinvestir dividendos internamente entre uma distribuição e outra e emprestar ações. A taxa de ambos é de 0,03% ao ano, menos de um terço da do SPY.

A liquidez é menor, mas longe de ser um problema para a pessoa física: nos mesmos 60 pregões, o IVV girou em média 6,6 milhões de cotas por dia e o VOO, 7,2 milhões, cerca de US$ 5,1 bilhões e US$ 5,2 bilhões diários, respectivamente.

  • SPY: taxa de 0,0945% ao ano, maior liquidez e mercado de opções mais desenvolvido.
  • IVV: taxa de 0,03% ao ano, estrutura de fundo aberto, boa liquidez.
  • VOO: taxa de 0,03% ao ano, estrutura de fundo aberto, boa liquidez.

Como calcular o impacto da taxa no longo prazo

A diferença de 0,0645 ponto percentual por ano parece irrelevante, e em um ano ela é mesmo: sobre US$ 10.000, o SPY cobra cerca de US$ 9,45 e o IVV ou o VOO, cerca de US$ 3,00. O efeito aparece com os juros compostos. Um exemplo hipotético, com retorno bruto de 8% ao ano durante 20 anos:

  • Com taxa de 0,0945%: US$ 10.000 × (1,08 − 0,000945) elevado a 20 ≈ US$ 45.800,65
  • Com taxa de 0,03%: US$ 10.000 × (1,08 − 0,0003) elevado a 20 ≈ US$ 46.351,31
  • Diferença no fim: US$ 550,66, ou cerca de 1,2% do patrimônio final.

O retorno de 8% é só uma hipótese para a conta, não uma previsão. O ponto é que, quanto maior o valor e o prazo, mais a taxa pesa.

Exemplo real: SPY, IVV e VOO em 2026

Gráfico: SPY, diário, de 01/04/2026 a 07/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.
Gráfico: SPY, diário, de 01/04/2026 a 07/10/2026. Dados: Yahoo Finance. Elaboração própria.

O gráfico mostra o SPY de 01/04/2026 a 07/10/2026. Nesse período ele saiu de US$ 655,24 para US$ 777,22, alta de 18,62%, com mínima de US$ 645,11 em 02/04 e máxima de US$ 781,62 em 06/10. Comparando com os outros dois nas mesmas datas:

Mesma janela, resultados quase iguais

Entre 01/04 e 07/10/2026, o IVV foi de US$ 658,06 para US$ 780,58 (+18,62%) e o VOO de US$ 602,30 para US$ 714,34 (+18,60%). O próprio índice S&P 500 subiu 18,65% no mesmo intervalo. A diferença entre os três ETFs ficou em centésimos de ponto percentual.

No ano e em 12 meses

De 02/01/2026 a 07/10/2026, a variação do preço foi de 13,77% no SPY, 13,76% no IVV e 13,69% no VOO. Em 12 meses (07/10/2025 a 07/10/2026), 16,16%, 16,09% e 16,12%. Essas contas consideram só o preço, sem os dividendos, e as pequenas diferenças vêm em boa parte das datas em que cada fundo distribui proventos (no dia ex-dividendo a cota cai pelo valor pago). Em prazos curtos, a taxa menor quase não aparece; ela se nota em décadas.

Como usar essa comparação para escolher

Para quem opera no curto prazo

Quem entra e sai de posições com frequência ou opera opções costuma preferir o SPY. O spread mínimo e a profundidade do mercado de opções pesam mais do que a taxa anual, que em uma operação de poucos dias é desprezível.

Para quem investe por anos

Para quem compra e mantém, IVV e VOO tendem a fazer mais sentido pela taxa menor e pela estrutura que reinveste dividendos entre as distribuições. Entre os dois, a diferença prática é pequena; muitas vezes a escolha depende da corretora e do custo de corretagem.

Tributação para quem mora no Brasil

Os três são domiciliados nos Estados Unidos: os dividendos sofrem retenção na fonte lá e o ganho de capital é tributado aqui, conforme as regras da Receita Federal. Também há a questão de herança nos Estados Unidos para patrimônios acima do limite de isenção para estrangeiros. Confira as regras vigentes antes de decidir, porque elas mudam.

Limitações

Escolher o ETF certo não protege contra a queda do índice. Os três caem juntos quando o S&P 500 cai, e o investidor brasileiro ainda fica exposto à variação do dólar. A comparação acima trata de custo e estrutura, não de risco.

Erros comuns ao comparar ETFs do S&P 500

  • Achar que a cota mais barata (o VOO, no caso) é um investimento mais barato. O preço da cota não tem relação com custo.
  • Comparar o retorno dos três em poucos meses e concluir que um é melhor: as diferenças nesse prazo são ruído.
  • Ignorar a taxa em investimentos de décadas ou, no outro extremo, trocar de fundo e pagar imposto sobre o ganho só para economizar centésimos.
  • Esquecer o câmbio e a tributação brasileira na conta do retorno.
  • Tratar os números acima como promessa: eles descrevem o que aconteceu em 2026, não o que vai acontecer.

Antes de investir, vale abrir o gráfico dos três ETFs na conta demo, colocar um ao lado do outro e acompanhar por algumas semanas como andam, incluindo os dias de dividendo. Anote o que observar: o seu registro ajuda mais do que qualquer comparação pronta.

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Rafael AzevedoPersonagem editorial · Redação de Mercado

Personagem editorial da redação Duotide. Os textos são escritos pela equipe com apoio de inteligência artificial; cotações e gráficos vêm de dados reais de mercado. Acompanha o noticiário que mexe com preços: juros, bolsas, empresas e commodities, explicado sem jargão.

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