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MercadoComo funcionam os market makers (formadores de mercado)
Rafael AzevedoPersonagem editorial · Redação de Mercado
Resposta rápida
Market maker (formador de mercado) é uma instituição que mantém, ao mesmo tempo, ofertas de compra e de venda de um ativo, garantindo que sempre haja contraparte. Ele ganha com o spread, a diferença entre o preço de venda e o de compra, e corre o risco de ficar com estoque quando o preço se move. Para quem opera, o efeito principal é mais liquidez e spreads menores.
Toda ordem executada precisa de alguém do outro lado. Em ativos muito negociados, sempre há compradores e vendedores suficientes. Em ativos com menos movimento, ou em horários vazios, nem sempre: sem contraparte, a ordem fica parada ou é executada a um preço bem pior. É para resolver esse problema que existe o market maker, ou formador de mercado.
Neste guia explicamos o que ele faz, como ganha dinheiro, qual risco corre e o que isso muda para quem opera, usando números reais do BOVA11, o ETF de Ibovespa da B3, entre abril e outubro de 2026 (dados do Yahoo Finance).
O que é um market maker
Market maker é uma instituição, como um banco, uma corretora ou uma empresa especializada, que se compromete a manter ofertas de compra e de venda de um ativo ao mesmo tempo, de forma contínua. Na bolsa brasileira, a atividade é regulada pela CVM e pela B3 e formalizada por contrato com o emissor do ativo ou com a própria bolsa, com regras de spread máximo, quantidade mínima e tempo de presença no livro de ofertas.
- Oferta de compra (bid): o preço pelo qual ele aceita comprar.
- Oferta de venda (ask): o preço pelo qual ele aceita vender, sempre um pouco acima.
- Spread: a diferença entre os dois. É a remuneração do serviço de estar sempre disponível.
O formador de mercado não aposta numa direção. Ele quer comprar de quem está vendendo e vender para quem está comprando, quase ao mesmo tempo, ficando com o spread.

Como calcular o ganho e o risco do market maker
A conta do ganho é simples: spread × quantidade negociada nas duas pontas. A conta do risco é a que poucos fazem: enquanto não consegue vender o que comprou, o formador de mercado fica com um estoque exposto à variação do preço.
- Ganho por ciclo completo (comprar e vender): spread × quantidade.
- Risco do estoque: quantidade em estoque × variação do preço.
- Ciclos necessários para cobrir uma perda: perda do estoque ÷ ganho por ciclo.
Exemplo prático: spread e estoque no BOVA11
Em 06/10/2026 o BOVA11 fechou a R$ 202,50, com 7,77 milhões de cotas negociadas. Entre abril e outubro, a média foi de 3,68 milhões de cotas por dia, cerca de R$ 656 milhões. O dia mais fraco teve 1,30 milhão de cotas; o mais forte, 15,31 milhões.
Agora uma situação ilustrativa (o spread e o tamanho do lote são hipotéticos; o preço e a queda são reais). Um formador de mercado oferece comprar a R$ 202,48 e vender a R$ 202,52: spread de R$ 0,04, ou 0,02% do preço.
- Compra e venda de 100.000 cotas: 0,04 × 100.000 = R$ 4.000 por ciclo completo.
- Em 11/08/2026, o BOVA11 caiu de R$ 169,27 para R$ 165,05, queda de 2,49%, a maior do período.
- Com 100.000 cotas em estoque nesse dia: (169,27 − 165,05) × 100.000 = R$ 422.000 de perda.
- Ciclos para recuperar: 422.000 ÷ 4.000 ≈ 105.
É por isso que o formador de mercado não é uma máquina de dinheiro garantido. O negócio depende de girar o estoque rápido, ajustar as ofertas quando o preço anda e se proteger, muitas vezes com futuros ou com a carteira de ações que compõe o ETF. Em dias de muita volatilidade, ele tende a alargar o spread para compensar o risco maior, e as regras da bolsa definem até onde isso pode ir.
Ativos líquidos e ativos menos negociados
Em ações muito negociadas, como a Apple, que movimentou em média 49,3 milhões de ações por dia no mesmo período, a concorrência entre compradores, vendedores e vários provedores de liquidez já mantém o spread estreito. É nos ativos menos negociados, como muitos ETFs, opções e ações de empresas menores, que o formador de mercado faz mais diferença.

Como usar essa informação ao operar
Olhe o spread antes de entrar
O spread é um custo de entrada e saída. Em ativos com formador de mercado ativo, ele tende a ser menor e mais estável. Em ativos sem formador, pode abrir bastante, sobretudo na abertura e no fim do pregão.
Prefira ordens limitadas em ativos menos líquidos
Uma ordem a mercado aceita o preço que estiver disponível. Se as ofertas estiverem espaçadas, ela pode ser executada bem longe do último preço. A ordem limitada define o pior preço aceitável.
Entenda o livro de ofertas
As ofertas do formador de mercado aparecem no livro como quaisquer outras. Ver sempre as mesmas quantidades no melhor preço de compra e de venda é um sinal comum da presença dele, e não, por si só, uma indicação de direção do preço.
Limitações
O formador de mercado reduz o spread, mas não elimina o risco de preço nem garante que haverá contraparte em qualquer quantidade. Em momentos extremos, as regras permitem spreads maiores ou pausas. E o exemplo deste artigo é ilustrativo: spread e tamanho das ofertas variam de ativo para ativo e de contrato para contrato.
Erros comuns sobre market makers
- Achar que o formador de mercado opera contra o pequeno investidor: o modelo de negócio é o spread, não a direção do preço.
- Ignorar o spread como custo, especialmente em operações curtas.
- Usar ordem a mercado em ativo pouco negociado e ser executado longe do preço esperado.
- Ler as ofertas fixas do formador no livro como sinal de compra ou venda.
- Supor que liquidez de hoje é garantia de liquidez amanhã: o volume do BOVA11 variou de 1,30 milhão a 15,31 milhões de cotas por dia no mesmo semestre.
Para ver isso na prática, use a conta demo e compare, em horários diferentes, o spread de um ativo muito negociado com o de um ativo pouco negociado. Registre os valores por alguns dias: você vai enxergar quanto do seu custo vem só da diferença entre compra e venda.
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